terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Bekamo

Bekamo


1922-25


Bekamo significava "Berliner Kleinmotoren Aktiengesellschaft" o que queria dizer em inglês: "Berlin small-power-engine Corporation", ou na nossa língua: "Companhia dos pequenos motores berlinenses".
Com motores desenhados por Hugo Ruppe, um dos mais brilhantes engenheiros da sua época, fornecia motores de baixa cilindrada, a dois tempos, a vários fabricantes alemães dos anos 20.

1922 Bekamo MHV 3,5 HP



Hugo Ruppe no ano de 1919 junta-se à DKW em Zschopau, onde desenvolve o seu primeiro motor a dois tempos. Com as suas idéias evolutivas, em 1922 separa-se da marca devido a desentendimentos com o director Jorgen Skafte Rasmussen, que rejeita a sua ideia de criar motores sobre-alimentados em motos de série.
O motor Bekamo

motor lado direito

motor lado esquerdo

O sistema de dois pistons do motor Bekamo


Nesse mesmo ano, Ruppe funda a Bekamo em Berlim. O seu motor de 129cc foi de imediato um sucesso, já que os motores a dois tempos da época não eram nem de qualidade, nem fiáveis.
Este motor a dois tempos de Ruppe, com dois pistons, obrigava o motor a um movimento mais esforçado conferindo-lhe um poder superior ao dos motores convencionais. Digamos que o segundo piston funcionava como compressor ao piston que fazia a explosão, dando-lhe assim mais potência. Por ser uma questão técnica, esta solução pode ser lida em inglês no site: http://www.motohistory.net/news2011/news-july11.html.
Como resultado desta experiência tivemos um excelente motor de 3,5hp comportando-se como se tivesse 4,5hp, algo que nenhum outro motor de série do seu tempo conseguia igualar.

Imagem da primeira Bekamo 129cc com quadro em madeira

As primeiras motocicletas Bekamo tinham uma inédita estrutura em madeira e um acabamento muito cuidado. A par com um motor complexo e uma boa qualidade de construção, esta moto tinha um custo final muito elevado. Apesar dos motores serem vendidos para outros fabricantes, os lucros começaram a baixar, de modo que no ano de 1925 Hugo Ruppe encontrava-se falido.


No entanto a história desta moto não termina aqui. Ruppe muda-se para Rumburk na Checoslováquia onde com toda a maquinaria da antiga fábrica, e com os mesmos motores funda a Kaehler & Ruppe. São produzidas a segunda geração da Bekamo, o modelo TX. Em 1929 lança seu último modelo, uma 248cc com quadro tubular.


1927 Bekamo TX 175 CZ

Nos anos de 1929/30 com a crise económica a agravar-se, mais uma vez a sorte vira as costas a Ruppe que acaba igualmente por fechar esta fábrica.

Depois da Segunda Guerra Mundial, Ruppe volta para Zschopau numa situação de quase mendicidade. Sobrevive num quarto até 1949, aquele que foi um dos grandes pioneiros da história do motociclismo.





segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Coventry Eagle




Coventry Eagle



1901- 1940


Coventry Eagle foi um dos grandes fabricantes de motos inglesas do seu tempo. Inicialmente o nome da empresa era Hotchkiss, Mayo & Meek, que fabricava bicicletas de caracteristicas "Vitorianas". Este nome foi mudado pela saida de um dos seus sócios, John Meek, no ano de 1897, passando então a ter o nome pela qual a conhecemos.
1903 Coventry Eagle modelo 2 de 3,4 HP com atrelado
Um modelo de 1906
Para além da sua elevada fiabilidade, as mesmas tinham um  fabrico muito exigente e cuidado.
Esta marca utilizou sempre motores de outros fabricantes, tais como Villiers, Jap ou Matchless. Outras motorizações foram igualmente utilizadas tais como os Backurne, os Sturmey-Archer e os Raleigh, mas em pequeno número


O cuidado de fabrico e a criteriosa escolha de componentes fizeram com que a marca não fosse barata.

1928 a bela Flying 8 de 980cc Jap




Como exemplo vejamos o caso do seu modelo mais bem sucedido, a Conventry Eagle Flying 8, que possuia um motor de 980cc e rivalizava com a Brough Superior em custo, e até em caracteristicas, já que muito se lhe assemelhava. 
Esta mesma Flying 8 foi considerada uma das mais admiráveis motocicletas do mercado britânico do seu tempo.
1926 Coventry-Eagle Model 32 300cc
1929 Coventry-Eagle Super Sports

1932 Coventry Eagle Silent Superb 148cc

1935 Coventry-Eagle Silent Superb De Luxe 250cc

Com a queda da economia nos anos 30, esta marca quase abandona os motores a quatro tempos e os grandes V-Twins Jap. Passa então a dedicar-se mais a modelos de pequeno porte, a dois tempos, utilizando o mais comum motor da época, o Villiers.
Reclame de 1932

O modelo mais básico da marca foi o 98cc "Marvel" no ano de 1931. Outros modelos se lhe seguiram, como os "Wonder" e os "Eclipse", com o motor montado dentro do quadro de aço prensado.
Em 1935 é lançado o modelo "Pullman" que escondia parcialmente o motor e a roda traseira.

A bela Pullman de 250cc de 1935




Já no ano de 1937 voltam os motores a quatro tempos, desta vez da Matchless, que em conjunto com os a dois tempos encerraram a produção.
A 350cc de 1937 e motor Matchless


No ano de 1940, já em plena segunda guerra, o fabrico é interrompido, não voltando a ser retomado.

1940 Coventry-Eagle Autoette de Luxe


domingo, 9 de dezembro de 2012

Minerva



Minerva


1900-09

A história desta marca começa com Sylvain de Jong e com seus irmãos em Antuérpia no ano de 1895, quando abriram uma oficina de fabrico e reparação de bicicletas, às quais deram o nome de Mercury.
No ano de 1900 com a aquisição da patente do motor suiço Zurcher & Luthi, iniciaram a produção de carros ligeiros e de motocicletas. Com estes motores adaptados aos quadros das bicicletas, aparece assim a marca Minerva.

1902 Minerva 211cc
1905 Minerva
1906 Minerva V-Twin
1907 Minerva V-Twin 577cc
Vários fabricantes utilizaram estes motores. Entre os mais conhecidos podem-se destacar: Bayliss Thomas, Humber, Royal Enfield, Quadrant, Triumph, BSA e outros no Reino Unido. Gobron, Cottereau, Peugeot, em França. Adler, Opel, and Seidel-Naumann na Alemanha. Eysink, Simplex e Gazelle na Holanda.
A outras marcas de bicicletas foram igualmente montadas os kits de motor Minerva, por exemplo na Austrália e noutros territórios de influência inglesa.


Devido à sua fiabilidade e fácil montagem em qualquer quadro de bicicleta, os motores Minerva rápidamente se tornaram sucesso. No ano de 1905 um novo motor, desta vez um V-Twin é apresentado.
A partir de 1908 a marca adopta o depósito circular, substituindo os antigos que eram quadrados, embutidos no chassis da moto.
1908 Minerva 432cc

O monocilindrico de 432cc

Os primeiros motores eram de 172cc com 3/4 hp. Outros monocilindricos se lhe seguiram com 211cc, 232, 269, 331cc, 345cc e 433cc. Os bicilindricos V-Twin eram de 577cc e 855cc respectivamente com 4,5 hp e 7hp.

O V-Twin Minerva de 1906
Em 1905 as vendas de motos começaram a cair, e a procura de automóveis a aumentar. No ano de 1909 a produção de motos foi abandonada.
No total, cerca de 35.000 unidades desta marca foram fabricadas.


Um revivalismo da marca foi tentado no ano de 1954 com uma scooter fabricada sob patente da MV Agusta, não tendo tido sucesso, pelo que em 1958 o projecto foi abandonado.



quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Blériot

Blériot


1919-23


Para quem já ouviu falar de Louis Blériot, sabe que foi o primeiro aviador a atravessar o Canal da Mancha em aeronave, a 25 de Julho de 1909. O que talvez não saibam é que esse aviador também fabricou motos.
No final da primeira guerra, a Blériot Aéronautique deixou de ter encomendas para os aviões que fabricava, e numa empresa que dava trabalho a cerca de 2.500 empregados, a solução encontrada foi o fabrico de motociclos.

1922 Bleriot 500 cc



O motor de 500cc


Com um desenho invulgar, esta moto apresentava rodas compactas num chassis considerado de acordo com os padrões da época. O seu motor de dois cilindros paralelos a quatro tempos, com 497cc, e uma caixa de 3 velocidades desenvolvia a potência de 5 hp




Folheto da Blériot

A marca apresentava três modelos sendo eles o Sport, o Tourist e ainda o S.T.D.
Para os sidecars existia igualmente um modelo de 750cc de 8hp, e equipado com marcha atrás.

Pintura com a moto e com avião da Blériot

Ela não roda - ela voa...
Apesar da sua aparência invulgar e das suas caracteristicas, as vendas não foram significativas, de modo que em 1923 o fabrico cessa. Noventa anos volvidos, pensa-se ainda existirem cerca de 12 destas motos, cujo lema da fábrica era: "elle ne roule pas -  elle vole" ("Ela não roda – ela voa").