A Wagner Motorcycle Company nasceu em 1901 fundada por George Wagner em Saint Paul, Minnesota, como subsidiária da Wagner Bicycle Company. Apesar de terem produzidos cerca de 8.500 motos, este fabricante ficou conhecido pelo prestígio que a filha de Wagner, Clara Marian Wagner, trouxe para a marca.
Ela que aos 15 anos foi a primeira mulher a ser membro da FAM (Federation of American Motorcyclists) e três anos mais tarde entrou em várias corridas com as motos de seu pai.
Todas as modelos que este fabricante produziu eram monocilindricos de 442cc de 4 hp com tracção por correia e capazes de atingirem os 70kms/h. Pela sua semelhança com os da Thor ou Indian que a Aurora fabricava, é muito provável que sejam os mesmos, embora ostentem o nome da marca nas tampas laterais.
Numa altura em que grande parte das empresas produziam variantes da Thor ou da Indian, esta motocicleta apresentava várias diferenças relativas a esses clones.
O peculiar quadro das Wagner
A sua imagem de marca passava pelo desenho curvo do quadro, que lhe permitia um posicionamento do motor mais abaixo, o que lhe conferia uma melhor ciclistica. Outra particularidade vinha igualmente desse mesmo quadro que ao mesmo tempo era utilizado como tubo de escape.
Nesta moto por restaurar é visivel como o motor e o quadro estão ligados
1912 Wagner
o motor de uma Wagner de 1912
1911 Wagner
O motor Wagner e o escape no quadro
No ano de 1909 a empresa produziu um modelo a pensar nas senhoras, tendo sido apresentado pela filha de G. Wagner, Clara. Este modelo concedeu à marca alguma importância mediática e ajudou-a a consolidar o seu prestígio como sendo a primeira mulher motociclista.
Clara e o modelo de 1909 para senhoras
Aqui podemos ver Clara Wagner com uma Harley monocilindrica
No ano seguinte Clara de 18 anos volta a ser notícia ao ganhar ao ganhar uma prova nacional de endurance, com uma pontuação perfeita de 1.000 pontos. No entanto os organizadores da prova recusaram-lhe a vitória pelo facto de ser uma mulher, pois não era suposto as mulheres competirem em motos...
Apesar dessa contrariedade ganhou ainda várias competições, para as quais tinha o patrocínio da Eclipse Machine Co., uma empresa que fabricava peças para travões de bicicletas.
Wagner motorcycle
Foto da época
Apesar de já ter lido que a marca fabricou tandems com motores bicilindicos V-Twin, nada encontrei sobre esses modelos. A marca extinguiu-se em 1914.
A história desta marca começa em 1886 com a Aurora Machine and Tool Company, uma loja de ferramentas e máquinas para a indústria de bicicletas. Numa época em que muitos fizeram fortuna ao fabricarem bicicletas, comprando as peças mais complexas, soldando e pintando de acordo com a sua própria marca ou desenho.
Era aqui que a Aurora entrava, pois produtos tais como guiadores, garfos, freios, rodas ou raios, tudo vendia em vários modelos.
Esta primeira Thor é igual à primeira Indian
Em1899 aparece Oscar Hedstrom um dos fundadores das motos Indian, que apresenta na Aurora um motor muito semelhante ao famoso De Dion Bouton, ou mesmo uma cópia, embora com algumas modificações que o tornavam muito superior a todos feitos à data.
Em 1901 Hedstrom associa-se a George Hendee e assim nasce a Indian Motorcycle Company
Depois de um ano de testes e de três protótipos construídos, a Aurora ficou incumbida do fabrico do motor de Hedstrom para as primeiras Indian, podendo utiliza-lo ou até vender a outros fabricantes, pagando estes direitos de patente.
Em 1902 já 137 motos Indian tinham sido fabricadas, e os motores todos produzidos pela Aurora.
Como fabricava motores, em 1903 a Aurora decidiu fundar a Thor Moto Cycle and Bicycle Company.
No seu catálogo todos os componentes de uma moto podiam lá ser encontrados. Uma imagem mostrava uma moto com todas as peças identificadas como sendo "moto montada a partir de componentes Thor".
No catálogo não existia quadro para montar a moto, embora pudessem ser comprados os componentes e montado um a gosto.
Por este motivo em 1902 e 1903, quer as motos Thor, quer as Indian, tal como outras marcas menos conhecidas eram visualmente muito semelhantes entre si.
Ainda hoje se encontram motos que foram restauradas para serem "Thor", na realidade não o eram, embora os componentes fossem provenientes da Aurora.
Em 1905 existiam vários clones da Thor sendo os mais conhecidos a Reading Standard, Merkle, Apache, Raycycle, Manson e mais tarde a Sears e a Torpedo.
1908 Thor Single
1909 Thor road model
1911 Thor IV Single
1913 Thor single
As suas primeiras motos tiveram um modelo inicial que se manteve de 1903 a 1905. De 1906 e 1907 um outro modelo foi lançado com o mesmo desenho, embora com várias alterações. Outras modificações surgiram em 1908, sendo vendido como "modelo 7" e descontinuado em 1909.
Em 1911 é lançado um V-Twin com o cilindro traseiro na vertical e o dianteriro projectado para a frente a fazer lembrar ligeiramente o desenho do motor Ducati.
1915 Thor
1916 Thor Modelo U
No ano de 1912 surgem dois novos motores, um monocilindrico e um v-twin a 50 graus de ângulo. Como opção este modelo era vendido com uma caixa de duas velocidades de alumínio. Esta mesma caixa de velocidades foi igualmente comercializada até 1914 a outras marcas.
Neste mesmo ano a Thor decide apresentar as suas motos nas cores de Branco ou azul.
Já em 1914 os motores V-Twin foram aumentadas de 1.000cc para 1.200cc e as motos ganharam estrados para os pés, retirando assim os pedais de bicicleta. No ano seguinte a cor branca foi abandonada pela marca.
O ano de 1915 foi muito mau para esta marca. A concorrência feita pela Indian, Harley, ou a Excelsior era muito forte. Estas marcas apresentaram uma caixa de três velocidades convencional, que deixava a Thor sem possibilidade de responder, pois comparativamente tratava-se de uma máquina sobre dimensionada, pesada e pouco manejável.
O motor monocilindrico
O bonito motor V-Twin da Thor
1916 foi o último ano deste projecto e o desenho final destas motos. Apareceram também com uma caixa de 3 velocidades com uma embraiagem convencional. Terá sido igualmente neste ano que a produção de motores terminou.
A partir daqui e no ano de 1917, foi acrescentado um cavalete à roda dianteira.
Em 1918 mudam o guarda-lamas frontal e colocam um porta bagagem. Igualmente foram adicionados fixadores para a possibilidade de montagem de um side-car.
Estas últimas alterações terão sido efectuadas a pensar na utilização militar, mas nada indica que tenha havido destas motos no exército dos USA.
Na foto de cima podemos ver Charlie Chaplin numa Thor single, e em baixo um video de 1914 onde ele também conduz uma Thor, provávelmente a mesma da foto.
foto da época
Como existem na Europa algumas destas últimas motos, é provável que algum país tenho comprado uma grande quantidade destas máquinas.
A Thor chegou a ter uma equipa de competição entre 1908 a 1912, até com bastante sucesso, pela mão de William Ottaway. Este piloto em 1911 junta-se à Harley Davidson, conseguindo que em 1916 a marca fosse campeã da América.
William Ottaway publicitando a Thor que abandonou em 1911, passando a integrar a equipa Harley Davidson
Já em 1918 a Thor Motorcycle Company começa a afundar-se, cessando a produção em 1920.
Os últimos modelos produzidos tinham motores datados de 1916 embora montados em anos seguintes.
Quem pretender uma informação muito mais completa sobre estas motos, está disponível aqui mas em inglês.
Para quem quiser ver melhor um destes motores, no video em baixo podemos ver as várias etapas do fabrico artesanal de uma réplica de um destes motores, neste caso um monocilindrico de 1908.
Militaire ou Militor assim se chamava esta estranha moto, ou um autocycle, que pretendia ser um misto de carro e moto, que como o nome indica, produzida a pensar numa utilização militar. O seu fabrico teve inicio em 1911 pela Militaire Autocycle Company, Cleveland, no Ohio.
O primeiro modelo a ser produzido era um monocilindrico, com um volante ao invés de guiador, e com umas pequenas rodas suplementares laterais retrácteis que faziam o equilíbrio do conjunto.
O modelo de 1911
No ano de 1913 a fábrica muda de mão passando a ser controlada por Norman R. Sinclair, que pega no projecto e o redesenha por completo, passando o seu fabrico para a cidade de Buffalo.
Toda a moto era muito pesada e pouco manejável, quer devido ao quadro mono peça, que suportava o novo motor de quatro cilindros, quer também pelas rodas de 12 raios de madeira maciça, num conjunto que media cerca de 2,48 metros (97").
1915 Militaire
O motor da Militaire
Um belo exemplar de 1916
No video abaixo podemos ver um exemplar de 1915, restaurado e funcionando na perfeição.
Este motor de 1.306cc tinha a potência de 11 hp, uma caixa de três velocidades para a frente e uma para a marcha atrás, e podia atingir a velocidade máxima de 110 kms/h.
Após realizar testes para utilização militar, o seu peso excessivo e a sua pouca maneabilidade fizeram com que o projecto militar fosse abandonado. Igualmente o modelo civil também não foi bem sucedido, pelo que faliu.
Folhetos da marca
Em 1917 Sinclair mudou-se para New Jersey e a Militaire passa a chamar-se Militor. Nem assim este projecto teve resultado, pelo que volta a falir.
Como Sinclair não era homem para desistir, volta a tentar mais uma vez, agora desta vez em Springfield onde um fabricante local de automóveis, a Knox Motor Company lhe fabrica as motos.
O sucesso tarda em aparecer e um último esforço é feito através da Bullard Machine Tool Company em Bridgeport, no Massachusetts, onde em 1922 a produção finalmente cessou.
Uma Militor de 1920 com side-car
O último modelo a ser fabricado, desta vez com motor de 1435cc e válvulas à cabeça, tinha problemas de lubrificação, já não possuía rodas laterais, trazia side-car e a coluna de direcção era mais convencional.
Na sua curta história esta moto foi fabricada em cinco cidades, falhando em todas elas. Curioso é o seu insucesso, pois que pelos 335 dólares que custava, até nem era má compra.
Aos dias de hoje muito poucas destas motos ainda existem, pensa-se terem sido fabricadas entre 100 a 200 unidades.