Esta é uma das motos mais raras que existem. Nasceu da vontade de uma empresa que é famosa pelo fabrico de automóveis em alargar o seu sector de produção.
Foi encomendado ao Major Frank Halford da empresa Ricardo and Co. o desenho de uma moto que superasse tudo o que já tinha sido feito à época.
De uma previsão de seis protótipos, apenas duas foram construidas, existindo hoje apenas um exemplar que se encontra na Milnton House, um futuro museu na Ilha de Man.
Com um desenho muito evoluido para o seu tempo, era uma moto de quatro cilindros e 945cc arrefecida a ar.
Uns estrados para os pés ao estilo americano, o motor de quatro cilindros, e o seu quadro de duplo berço faziam dela uma moto muito suave, silenciosa, manejável e até divertida.
1922 Vauxhall
Com um desenho muito evoluido para a época, era uma moto de quatro cilindros e 945cc arrefecida a ar.
Com uns estrados para os pés ao estilo americano, o seu motor de quatro cilindros e seu quadro de duplo berço faziam dela uma moto muito suave, silenciosa, manejável e até divertida.
Bill Snelling e a Vauxhall
Bill Snelling, um corredor do Manx TT que teve ocasião de a experimentar confirmou tratar-se de uma moto muito sofisticada e capaz de suavemente poder atingir os 130 kms/h.
Uma outra imagem da Vauxhall
Em 1924 a politica da empresa mudou, de modo que o projecto foi cancelado. As duas motos concluidas foram vendidas, e as peças distribuidas pelos trabalhadores.
Em 1951 uma desmantelada "Vauxhall Four" foi encontrada e ao fim de vários anos um colecionador conseguiu reconstruir-la, sendo esse o único exemplar existente.
Os anos do pós guerra estavam a ser dificeis para o motociclismo, de tal modo que o custo de produção apresentava-se por demasiado dispendioso, o que levou a marca a cancelar o projecto e a fazer com que este protótipo nunca entrasse em produção.
No ano de 1925 a americana General Motors compra a Vauxhall, e como sempre repudiaram o fabrico de motociclos, a história da moto Vauxhall terminou aqui.
Quando hoje se fala da Opel, a primeira ideia que nos vem à cabeça são os conhecidos e fiáveis automóveis da marca. No entanto esta empresa, a Adam Opel AG, nome do seu fundador, teve o seu início no ano de 1862 quando a sua actividade principal era o fabrico de máquinas de costura. Pelos produtos que a Opel produziu passaram também bicicletas, automóveis e motociclos.
Em 1886 fabricam a sua primeira bicicleta. O sucesso foi tal, que em menos de 40 anos de actividade tornaram-se os maiores fabricantes mundiais de bicicletas.
A primeira moto Opel de 1902
Em 1899 a Opel fabrica o seu primeiro automóvel. Na sua diversidade de actividades e pela proximidade com as bicicletas, acabam por aparecer as motos.
A produção de motociclos encontrou três fases. A primeira iniciou-se de 1902 a 1907, ano em que interromperam o fabrico.
1905 Opel monocilindrica
1905 Opel de dois cilindros com 3,5 hp e ignição eletromagnética
A segunda fase foi de 1918 a 1923, com modelos variados que iam de bicicletas com motor acoplado à roda traseira, a modelos já com refrigeração liquida.
1921 Opel 200cc de refrigeração liquida
1922 Opel 200 Motorcycle Factory Photo
1922 Opel de 140cc
Um outro exemplar do mesmo modelo e ano
O motor Opel de 140cc
Pelo ano de 1919 aparece uma Opel de 30 hp e 2.000cc de quatro cilindros, sempre referida como "Derny", ou seja moto de treino de bicicletas de pista. Foi na sua roda traseira que Robert Grassin atingiu os 122 kms/h no autódromo de Monthléry nos arredores de Paris, no ano de 1928.
Como todas as fotos que encontro parecem representar a mesma moto, suponho que muito poucas unidades tenham sido fabricadas. Como o próprio site que narra a história da marca não a cita, poderá ser única, ou até um protótipo.
1919 Opel Derny
Uma moto imponente
Podemos ver o imenso motor
Para se compreender o que é uma Derny (moto de treino de ciclismo) esta foto ilustra
Em baixo encontramos um folheto da época a publicitar a 500cc Motoclub, bem como uma foto antiga em que aparece um destes modelos.
Panfleto da Opel 500cc motoclub
A fase final foi entre 1928-31, quando a Opel compra os direitos de produção da moto Neander P3, a Ernst Neumann-Neander , e a fabrica como sua.
A esse modelo foi dado o nome de Opel Motoclub, uma 500cc monocilindrica OHC, de três velocidades e motor de fabrico próprio.
Uma Opel Motoclub 500cc de 1928
A instrumentação no depósito
A escolha da moto Neander deveu-se ao desenho do seu quadro de aço prensado, que para uma produção massiva permitia que o normal tempo de montagem de uma moto de 20 a 25 horas, fosse reduzido para não mais de quatro horas.
Além de confortável e do seu bonito e pouco usual desenho, esta moto era igualmente uma excelente estradista, com a vantagem de com grande facilidade se poder aceder a todas as peças da mesma.
Apenas disponível na combinação de cores vermelha e prata, foi fabricada até 1930, num total de cerca de 6.500 exemplares.
Imagem de uma destas motos num selo do Paraguay
A história das motos Opel terminou devido à recusa da americana General Motors em prosseguirem com o fabrico de motociclos, quando em 1929 compraram a empresa.
Durante a presença da Opel no motociclismo, houve igualmente um episódio curioso, que foi a tentativa de desenvolvimento de uma moto propulsionada por foguetes, que o piloto activava através de um pedal.
Este propósito era bater o recorde de velocidade de 1928, detido por O.M. Baldwin numa 996cc Zenith- JAP, a 200,3 kms/h (realizado em Arpajon, França).
Fritz Von Opel e a Rocket-Motorcycle
A Opel Rocket Motorcycle
A Opel Rocket Motorcycle em acção, vejam o número de foguetes
É bem visível o rasto de fumo da Rocket
A Opel Rocket Motorcycle e os seus foguetes
Uma Rocket em plena acção...
A moto escolhida para esse fim era uma Opel Motoclub 500SS, à qual foram acoplados não 6 como se vê na foto, mas 12 rockets, com uma capacidade combinada de 30 kgs.
Esse feito foi tentado em 19 de Maio de 1928, no velódromo de Hamborner, frente a uma multidão de 7.000 pessoas.
Pelas contas previa-se que a moto atinguisse os 130kms/h com o seu próprio motor, passando para cerca dos 220 com o disparo dos foguetes.
A tentativa falhou, e igualmente as autoridades alemãs proibiram o uso de foguetes em motos, pelo risco que poderiam provocar. Tentativas semelhantes foram tentadas com automóveis e aviões.
Nas fotos da época é possivel ver imagens da tentativa, bem como a enorme fumarada provocada pelos foguetes. Um momento curioso, e um projecto inviável sem dúvida.
Esta marca nasce em 1924 pela mão de um dos maiores génios criativos da história do motociclismo, Ernst Neumann-Neander, um prussiano nascido em Kassel no ano de 1871. Os seus desenhos fizeram história quer no sector automóvel quer nas motos, pela invulgaridade e pelas soluções alternativas que conseguiu fazer passar do papel à realidade.
Da carreira profissional de Ernst Neander sabe-se que teve início no final do século XIX com a construção de triciclos motorizados a vapor. Já no início do século XX desenvolveu motores de combustão interna baseados nos De Dion Bouton.
Ernst Neumann em 1925 à esquerda
A originalidade de um carro de três rodas
No ano de 1904 adquire um motor V-twin fabricado pelos suíços da Zedel, que em conjunto com a marca Griffon desenvolve, e para os quais desenha sua primeira moto.
Anos mais tarde é na empresa Austro-Daimler que os seus desenhos são utilizados, mas no ramo automóvel.
Em 1924 Neumann decide-se pelo fabrico dos seus próprios modelos, para os quais adopta o nome "Neander". Na sua concepção as Neander deveriam ser, confortáveis, leves, fiáveis e acessíveis às massas.
Todas as motos desenhadas por E. Neumann tinham em comum quadros que não eram pintados mas banhados a cádmio, fabricados em aço prensado e duralumínio. Para as suas motos os motores escolhidos eram das marcas Villiers, JAP, Küchen e MAG, com cilindradas que iam dos 122 aos 996cc .
É nos arredores de Euskirchen que nesse mesmo ano apresenta a Neander Tourist, uma motocicleta de baixa cilindrada com um quadro de aço tubular central.
1924 Neander Villiers de 150cc
Em 1925 voltamos a ter uma Neander desta vez com recurso a um quadro de alumínio e a um motor Villiers de 175cc, é apresentada uma moto de competição com um peso inferior a 40 kgs.
1925 Neander Villiers de 175cc e 40kg de peso
Em 1927 a marca lança aquela que foi a sua mais conhecida moto, a Neander P3. O quadro desta moto era fabricado a partir de folhas de metal prensado e tal como os anteriores, banhado a cádmio. Esta moto tinha quadros iguais para todas as motorizações utilizadas, que iam dos monocilindricos Küchen de 500cc aos MAG e JAP de 1.000cc. No total foram produzidas cerca de 2.000 unidades,
1927 Neander P3 com motor Jap de 1.000cc
1928 Neander P3 com motor Kuchen de 500cc e sidecar
motor Kuchen de 500cc
O último modelo destas motos é de 1929, a Neander P3-1. Equipada com motor MAG de 1.000cc, é hoje considerada uma das 100 motos mais representativas do século XX.
1929 Neander MAG
A ausência de pintura dá um visual muito especial a esta moto
A história desta fabulosa moto é continuada com a marca Opel, à qual Neumann vendeu em 1928 a patente dos seus desenhos, pelo que esta marca em 1929 iniciou a sua própria produção, agora com motor próprio. Como curiosidade refira-se ter sido esta a última motocicleta que a Opel fabricou, pois ao ser comprada em 1929 pela General Motors, os americanos decidiram cessar a produção de motos, o que aconteceu em 1930.
A Neander Opel de 1930
A partir do momento que Neander deixa as motos, volta-se de novo para os automóveis. É neste espaço de tempo até por volta de 1946 que aparecem as mais estranhas criações de E. Neumann. Por exemplo o seu "Fahrmaschine" ou o "riding machine".
O futurista Fahrmaschine de 1935
Algumas criações de Neumann
Em 1947 apresenta um "ultra leve" de 98cc Sachs a dois tempos que atingia os 60kms/h podendo ser conduzido sem carta e sem qualquer tipo de taxa fiscal. Apenas dois prótotipos foram consruidos.
Um curioso modelo de ciclo-carro de 3 rodas
Uma idéia curiosa para um veículo
Nas suas últimas criações está um protótipo equipado com motor Ilo a 2 tempos de 125cc, que privilegiava a ergonomia e o conforto. A roda traseira era mais pequena e o guiador e os pisa pés colocados de modo a posicionar melhor o conforto do passageiro. Apresentou igualmente a Neander mk 98, embora nenhum dos modelos tenha alguma vez entrado em produção.
1949 Neander Ilo de 125cc
1947 Neander MK 98
Em baixo temos um excelente video onde em poucos minutos podemos admirar as brilhantes criações de um homem que para uns terá sido um visionário, para outros um génio. Opiniões à parte, as suas criações dispensam comentários. É imperativo ver este video em full screen.
Durante os últimos cinco anos de vida Neumann abandona completamente os desenhos técnicos, passando a dedicar-se exclusivamente à pintura, deixando à data da sua morte em 1954 cerca de 100 aguarelas da sua autoria.