sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Smith Motor wheel

Smith Motor wheel


1914-19

A Smith Motor Wheel era a versão americana da Wall Auto Wheel, fabricada em Milwaukee sob patente, pela empresa de nome A. O. Smith Company que detinha os direitos de fabrico para o mercado americano da Wall. Apesar de tudo esta roda motriz era um pouco diferente da original Wall.

1915 Smith Motor Wheel

Um kit Smith de 1915

A Smith em esquema
Com um motor de 146cc, como roda utilizava um disco compacto, ao contrário da Wall que utilizava uma vulgar roda de bicicleta. Na versão americana da Smith, o conjunto era montado do lado esquerdo da bicicleta, enquanto a Wall o montava do lado direito.
Num total de cerca de 60.000 unidades fabricadas entre 1914 e 1918, era curiosa a originalidade da côr que ostentava, vermelha, enquanto a sua congénere britânica se apresentava de côr negra, com uma risca dourada.

Publicidade da época
Uma foto de 1917
Um Smith Motor Wheel Flyer

Quando em 1914 a Smith aparece no mercado americano, comercializa-a como sendo o modelo A. Em 1916 aparece o modelo B, embora não fossem apresentadas diferenças significativas entre os dois modelos.
Em Maio de 1919 os direitos de fabrico foram adquiridos por dois jovens empreendedores que pretendiam fabricar um pequeno motor. Esses jovem foram Briggs & Stratton. Com eles, esta roda motriz teve a maior alteração à sua forma original. Com a cilindrada aumentada para o dobro, passou assim a usufruir de uma potência de 2hp, com melhor desempenho.

A versão Briggs & Statton Motor Wheel

O Flyer da Briggs & Stratton


1920 Briggs & Stratton Motor Wheel Scooter

O Flyer da Briggs & Stratton

Este motor, agora de marca Briggs & Stratton teve continuidade até 1925, e foi utilizado por todo o tipo de veículos, como trenós, bicicletas, carros low-cost e até carros para rodarem nas vias férreas, para as repararem.
O preço na América era de cerca de 60 USD, o equivalente a um terço do valor de uma motocicleta, valor comparativamente mais elevado que o da Wall no Reino Unido.  


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Wall Auto-Wheel


Wall Auto-Wheel


1908-22

Numa altura em que as bicicletas se vendiam em larga escala, a Wall Auto-Wheel foi pensada como uma alternativa barata e simples à sua motorização. Patenteada em 1908 por Arthur W. Wall de Birmingham, foi fabricada e comercializada pela Auto-Wheels Ltd. em Londres, no Reino Unido, e financiada pelo conhecido escritor Sir Arthur Conan Doyle.


O esquema da Wall


A Wall não é mais do que uma engenhosa roda raiada de jante 20" com motor, acoplável à direita da roda traseira de qualquer bicicleta.

Um exemplar em excelente estado de conservação
Wall Autowheel numa biciclete Humber de senhora de 1914
Em exposição mais um modelo de 1914
Aparece no ano de 1910 aos seus potenciais clientes, como uma solução simples e económica que poderia motorizar qualquer bicicleta. Para tal, recorria-se a um muito básico motor a dois tempos de 1,75hp, que em conjunto com um magneto da Bosch assegurava o funcionamento do conjunto. Neste "kit", o seu guarda-lama servia igualmente para suporte do depósito de combustivel, e do de óleo. Duas braçadeiras flexiveis fixavam o conjunto, servindo igualmente como amortecedores.

De 16 a 18 libras podiamos motorizar qualquer bicicleta

Um reclame da época já com a BSA
Todo o controle da motorização era feito por um cabo, que se encontrava ligado ao guiador. Pelo seu preço, das 15 às 20 libras, o equivalente a uma quarta ou quinta parte do preço de uma motocicleta, tornou-se bastante popular durante os anos que antecederam a primeira Grande Guerra. 

Um conjunto Wall de 1914



O seu fabrico foi continuado até 1922, e até foram exportados para a Austrália e para a Nova Zelândia, onde ainda hoje é possível encontrar alguns destes exemplares.




Nos seus modelos houve algumas variantes, embora em 1912 tenha a sua forma definitiva, com um motor a quatro tempos de 110cc de 1hp montado na vertical. Foram igualmente fabricadas unidades de 114cc e 118cc, embora sem diferenças significativas.
Em 1914 o fabrico da Wall passa a ser assegurado pela fábrica BSA, embora mantendo o nome da marca. 
Também com este pequeno motor aparece em 1921 a Auto Wheel Motorette, uma espécie de trotineta com banco cuja roda traseira foi substituida pelo conjunto Wall.
Após o ano de 1922 deixamos de ouvir falar nesta marca e nestes kits. 



No video em cima podemos admirar um destes exemplares e ver como se rodava com um destes curiosos engenhos.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

NUT


N. U. T.


1912-33

Este nome NUT, ou "Newcastle Upon Tyne", provém da NUT Engine and Cycle Co, uma empresa britânica que produziu motos de 1912 a 1933, com motores baseados nos JAP ou Villiers. Fundada por Hugh Mason e Jock Hall, que já em 1906 fabricavam motociclos, com a marca HM, nome proveniente das iniciais de Mason.




Cedo esta marca ganha nome, muito ajudada pela vitória de Mason em 1913 no Junior TT da Ilha de Man, onde com a sua NUT de motor Jap, levou de vantagem 46 segundos sobre o segundo classificado.
No ano seguinte e com outros sucessos nas provas, a marca  aventura-se no fabrico de motos desportivas equipadas com motores V-twin de fabrico próprio, com motorizações diversas que iam dos 2,75hp aos 8hp de potência.
NUT de 1914 com motor JAP de1.000cc 2 cyl ohv

Com a Primeira Grande Guerra em 1914, a empresa tem dificuldade em manter-se e acaba por entrar em falência.
A marca é comprada por Robert Ellis, que através da agora Hugh Mason and Company, volta a fabricar os seus V-twins, nos quais utiliza as caixas de velocidades de três marchas da Sturmey-Archer.

1921. 600cc sidevalve motor JAP
o motor JAP
Em 1923 e pelas incertezas sobre o futuro da marca, limitaram o fabrico do motor a um de 700cc, embora com diferentes especificações.

Esta é de 1922
Um modelo de 1927

No ano de 1927 a marca desiste dos depósitos ciclindricos, optando por um de desenho quadrangular chapeado.
Uma das últimas NUT

O ano de 1928 foi marcado pelo lançamento de apenas dois modelos, um a dois tempos com motor Villiers de 172cc, outro um desportivo bicilindrico de 747cc a quatro tempos.
No ano seguinte, fabricaram motores de 248cc e de 346cc monocilindricos e um 496cc OHV, todos a quatro tempos,
A partir de 1930 com a Grande Depressão a causar graves problemas económicos, as vendas são muito reduzidas, acabendo em 1933 a fábrica por encerrar definitivamente.

Uma muito rara board racer NUT 600cc JAP side valve 



Esta moto pelo motor que apresenta deverá ser de 1923, pois o motor JAP é da série U, que foi fabricado nesse mesmo ano.



sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Nacional SMC

Nacional / SMC


1934-36


A Nacional ou SMC, é o exemplo da única tentativa de fabricar em Portugal motos de grande porte.
Este projecto só foi possível graças ao esforço conjunto de Augusto Maia e Manuel Calheiro Seixas, que  com a ajuda de um mecânico que trabalhava no concessionário da Conventry Eagle (José Silvestre de Freitas) e mais dois aprendizes, avançaram com o projecto.

Uma foto antiga

Foram desenhados dois modelos, um de autoria de Augusto Maia para uma moto de turismo e o outro de Manuel Seixas para uma desportiva.
Importaram de Inglaterra os motores Jap OHC de 500cc, as forquilhas Webb e algumas caixas de velocidades Albion e Sturmey-Archer, estas para o modelo desportivo. 
O quadro era de fabrico nacional, constituido por tubos de aço, sem soldaduras, como era norma na época na indústria aeronáutica.
Em 1934 num armazém onde hoje funciona a RTP, aparecem as primeiras quatro motos fabricadas com o nome "Nacional".
A SMC ou Nacional


Em 1935 e já sem dinheiro A. Maia é obrigado a abandonar o projecto. Para o seu lugar entrou na sociedade como investidor, Marinho da Cruz.
Pela pouca informação existente, não se sabe se foram fabricadas se mais três ou quatro motos, no entanto sabe-se que estas foram apresentadas com a marca SMC.
Especula-se sobre a origem da sigla SMC, mas provávelmente seria: Seixas, Marinho e Cruz... 
Apesar de terem venda e procura, como não houve quem investisse, a produção não pode ser continuada, de modo que as motos deixaram de ser fabricadas.
Agora que cerca de 80 anos se passaram desde o seu fabrico, ainda a podemos citar como tendo sido a moto de maior cilindrada alguma vez construida em Portugal.
Penso existirem ainda dois exemplares, uma na posse do cineasta Manoel de Oliveira, e outra que supostamente terá sido vendida, e da qual mais abaixo narro a história. Infelizmente não consegui apurar a veracidade de nenhuma destas afirmações, pelos poucos elementos encontrados.

Nacional SMC de 1934

Esta moto de matricula LI-23-83 e motor número KOZ/D/41261/K foi registada em 1934, e desde 1968 que esteve na posse do mesmo dono, embora possa ter sido recentemente vendida. Foi encontrada em Sintra numa sucata em condições precárias, e só anos mais tarde identificada como a moto que sabemos ser. 
Com o 25 de Abril de 1974, esta moto e outras pertença da sua colecção, foram enviadas para o Reino Unido, onde recorrendo a um dos melhores técnicos ingleses foi primorosamente restaurada.
Em 1982 e depois de consideráveis problemas burocráticos, acabou sendo registada com matricula portuguesa, tendo sido posteriormente vendida.


No ano de 2007 os CTT relembram esta bela moto com uma emissão de sêlos, Aqui fica a sua foto.


Quem tiver interesse em saber mais sobre estas motos pode consultar o livro "Motos Antigas em Portugal", das edições Inapa, e da autoria de Pedro Pinto, onde esta moto faz capa.