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domingo, 14 de abril de 2013

Windhoff

Windhoff




1926-33


Esta é uma marca práticamente desconhecida, mas que produziu algumas motos que no mínimo podemos considerar admiráveis. Original de Berlin, esta empresa germânica apareceu em 1880 fundada pelos irmãos Windhoff, que se dedicavam ao fabrico de radiadores para automóveis, camiões e até para os primeiros aviões.
Os seus produtos tinham tão grande procura que durante a primeira grande guerra nem chegaram a interromper o fabrico, pois vendiam tudo quanto conseguiam produzir.
Com o final da guerra resolveram diversificar a actividade para as duas rodas, um sector que se encontrava em grande crescimento.




As suas primeiras motos eram baseadas em motores Bekamo de 125 e 173cc, com um sistema de refrigeração líquida, que funcionava excepcionalmente bem, pois o cilindro encontrava-se dentro do radiador, evitando assim a utilização de mangueiras ou tubos.

1925 Windhoff 125cc
1926 Windhoff 175cc



Comparativamente com outras da sua época, estas pequenas Windhoff eram consideradas um valor seguro, apesar do seu preço elevado, permitindo-lhes assim bom volume de vendas.
Do sucesso comercial passaram para a competição com resultados vitoriosos, de tal modo que em 1925 ganharam a International Avus Formula One races nas classes de 125 e 175cc,  dominadas na época pelas Cockerell e pelas DKW.
Seguiu-se uma tentativa falhada do fabrico de um motor a dois tempos de 500cc, de modo que Hans Windhoff opta por desenvolver um motor a quatro tempos.
Foi em 1927 que aparece a Windhoff 750cc ou "a moto sem quadro", uma inovadora moto de quatro cilindros arrefecida a óleo. Esta moto foi desenhada por Ing Dauben, um engenheiro do ramo automóvel que mais tarde foi trabalhar para a Mercedes.

1928 Windhoff 750/4

Em 1928 esta marca obtém o recorde mundial de velocidade e resistência na Opel Race Track, pista onde a Opel testava as suas motos.
No ano seguinte e já em plena crise económica para rivalizarem com a BMW, a Windhoff fabrica uma 996cc boxer, da qual não existe informação técnica, mas sem sucesso comercial. As motos rivais eram mais baratas e estavam muito bem vistas pelos clientes.
1929 Windhoff 996cc

Produzida até 1931, esta Windhoff 996cc nunca atingiu a popularidade da sua antecessora de 750cc.
Em 1932 Windhoff cessa o fabrico dos modelos de grande porte, virando-se para o fabrico de pequenas motos de 198 e 298cc com motorizações derivadas dos Villiers. 
Com a falta de procura dos seus modelos, a última Windoff é fabricada em 1933, continuando a actividade que nunca abandonou, os radiadores.
Manteve-se no activo até 1945, ano em que a fábrica foi destruida por um dos muitos bombardeamentos dos aliados sobre Berlin. Os soviéticos acabaram com o resto, desmontando e roubando todos os planos e projetos futuros. Foi esta fábrica, que modernizou involuntariamente toda a indústria de radiadores Soviéticos depois da guerra.
Em 1948 houve uma tentativa bem sucedida de reabertura da fábrica que durou até 1952, ano em que as autoridades soviéticas a encerraram definitivamente.


A moto sem quadro

A rara windhoff 750 está identificada como sendo uma das 100 motos mais emblemáticas do século XX.
A sua concepção não agradava a todos, nem a mesma estava ao alcance de qualquer um, pelo seu elevado preço.

1928 Windhoff four

O grande e bonito motor Windhoff

O painel de instrumentos
Foi em todo o mundo a primeira moto a ter refrigeração a óleo, graças ao seu sobredimensionado cárter de 9 litros, num motor que se substituia ao quadro.
Todo o seu enorme motor era quadro, pois suportava toda a moto. A forquilha dianteira estava-lhe aparafusada, o depósito colocado sobre os cilindros, e roda traseira ligada ao motor por barras paralelas cromadas, na qual a transmissão por veio também se encontrava e que conjuntamente com a sua alavanca de velocidades quase fazia lembrar a de um automóvel.



Esta moto introduziu caracteristicas que hoje são comuns nas nossas motos tais como amortecedor dianteiro, embraiagem a seco multiplate, unidade de caixa de velocidades, travão dianteiro e traseiro, sendo que este actuava directamente na transmissão.

A traseira da Windhoff

Agora que cerca de oitenta anos se passaram passados sobre a criação desta extraordinária moto, podemos apreciar nestas fotos uma moto, que infelizmente o tempo não permitiu que mais destes belos exemplares tivessem chegado aos nossos dias.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Bekamo

Bekamo


1922-25


Bekamo significava "Berliner Kleinmotoren Aktiengesellschaft" o que queria dizer em inglês: "Berlin small-power-engine Corporation", ou na nossa língua: "Companhia dos pequenos motores berlinenses".
Com motores desenhados por Hugo Ruppe, um dos mais brilhantes engenheiros da sua época, fornecia motores de baixa cilindrada, a dois tempos, a vários fabricantes alemães dos anos 20.

1922 Bekamo MHV 3,5 HP



Hugo Ruppe no ano de 1919 junta-se à DKW em Zschopau, onde desenvolve o seu primeiro motor a dois tempos. Com as suas idéias evolutivas, em 1922 separa-se da marca devido a desentendimentos com o director Jorgen Skafte Rasmussen, que rejeita a sua ideia de criar motores sobre-alimentados em motos de série.
O motor Bekamo

motor lado direito

motor lado esquerdo

O sistema de dois pistons do motor Bekamo


Nesse mesmo ano, Ruppe funda a Bekamo em Berlim. O seu motor de 129cc foi de imediato um sucesso, já que os motores a dois tempos da época não eram nem de qualidade, nem fiáveis.
Este motor a dois tempos de Ruppe, com dois pistons, obrigava o motor a um movimento mais esforçado conferindo-lhe um poder superior ao dos motores convencionais. Digamos que o segundo piston funcionava como compressor ao piston que fazia a explosão, dando-lhe assim mais potência. Por ser uma questão técnica, esta solução pode ser lida em inglês no site: http://www.motohistory.net/news2011/news-july11.html.
Como resultado desta experiência tivemos um excelente motor de 3,5hp comportando-se como se tivesse 4,5hp, algo que nenhum outro motor de série do seu tempo conseguia igualar.

Imagem da primeira Bekamo 129cc com quadro em madeira

As primeiras motocicletas Bekamo tinham uma inédita estrutura em madeira e um acabamento muito cuidado. A par com um motor complexo e uma boa qualidade de construção, esta moto tinha um custo final muito elevado. Apesar dos motores serem vendidos para outros fabricantes, os lucros começaram a baixar, de modo que no ano de 1925 Hugo Ruppe encontrava-se falido.


No entanto a história desta moto não termina aqui. Ruppe muda-se para Rumburk na Checoslováquia onde com toda a maquinaria da antiga fábrica, e com os mesmos motores funda a Kaehler & Ruppe. São produzidas a segunda geração da Bekamo, o modelo TX. Em 1929 lança seu último modelo, uma 248cc com quadro tubular.


1927 Bekamo TX 175 CZ

Nos anos de 1929/30 com a crise económica a agravar-se, mais uma vez a sorte vira as costas a Ruppe que acaba igualmente por fechar esta fábrica.

Depois da Segunda Guerra Mundial, Ruppe volta para Zschopau numa situação de quase mendicidade. Sobrevive num quarto até 1949, aquele que foi um dos grandes pioneiros da história do motociclismo.